Arco-íris nas Caldas da Rainha ou "Caldas Rainbow".

Na quinta entre ciprestes
Secaram todas as fontes,
As rosas brancas agrestes
Trazidas do fim dos montes
Vós mas tiraste, que as destes

No rio ao pé de salgueiros
Passaram águas em vão,
com tristezas de estrangeiros
Passaram pelos salgueiros
As ondas, sem ter razão.

(Excerto de um poema de Fernando Pessoa).

Que bom ser escapista!


 No expediente laboral, entre atendimentos de assistência a avariados e acidentados, pedidos de médico ao domicílio e apólices anuladas, escapa-me a caneta e começa a desenhar sozinha, assim como desta vez:

versão mais composta que só o sossego e o tempo de estar dentro de casa permitem

The Shining of Things

Não meu, não meu é quanto escrevo.
A quem o devo?
De quem sou arauto nado?
Por que, enganado,
Julguei ser meu o que era meu?
Que outro mo deu?
Mas, seja como for, se a sorte
For eu ser morte
De uma outra vida que em mim vive,
Eu, o que estive
Em ilusão toda esta vida
Aparecida,
Sou grato Ao que do pó que sou
Me levantou.

(E me fez nuvem um momento
De pensamento).
(Ao de quem sou, erguido pó,
Simbolo só).

- (09/11/1932) Fernando Pessoa.

Lápis de cor.

Good Fortune.

Horizonte


Ó mar anterior a nós, teus medos
Tinham coral e praias e arvoredos.
Desvendadas a noite e a cerração,
As tormentas passadas e o mistério,
Abria em flor o Longe, e o Sul sidério
'Splendia sobre as naus da iniciação.
 
Linha severa da longínqua costa -
Quando a nau se aproxima ergue-se a encosta
Em árvores onde o Longe nada tinha;
Mais perto abre-se a terra em sons e cores:
E, no desembarcar, há aves, flores,
Onde era só, de longe, a abstracta linha.
 
O sonho é ver as formas invisíveis
Da distancia imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esp'rança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte-
Os beijos merecidos da Verdade. 

- Mensagem, Fernando Pessoa.
 

The Angel

I Dreamt a Dream! what can it mean?
And that I was maiden Queen:
Guarded by an Angel mild:
Witless woe, was ne'er beguil'd!

And I wept both night and day
And he wip'd my tears away
And I wept both day and night
And hid from him my hearts delight

So he took his wing and fled:
Then the morn blush'd rosy red:
I dried my tears & armed my fears,
with ten thousand shields and spears,

Soon my Angelcame again;
I was arm'd, he caim in vain:
For the time of youth was fled
And grey hairs were on my head

-William Blake, Cantigas da Inocência e da Experiência.

Descida ao monte


 A pintar!
Desenho do Miguel.

Uma cara.


«Oh constructores, oh formadores, vosotros veis, vosotros escucháis, no nos abandonais.»

This is Action Painting





Aconteceu nas ESTGAD, Caldas da Rainha, em 1998.
de Catarina Verdier e Zé Mendonça. Fotogafias de Paulo Barros).

Viva o Rousseau!

 Retratado por mim, o Miguel.
A Guerra, por Henri Rousseau, seguida de um auto-retrato do pintor.
Em baixo a minha versão. 

Viva o Rousseau!

Não meu, não meu é quanto escrevo.


(Poema)

(...) 
Ana dirigiu-se depois para a sala onde desta vez se sentou ao estirador. Abriu o jornal à sua frente. Despreocupadamente à procura de uma notícia que valesse a pena ler, ouvia a leve confusão de sons que vinha do exterior.


Este pequeno conto poderia acabar da seguinte maneira: após uma tarde bem passada (somente perturbada por um telefonema misterioso), Uma boa sesta reparadora, e um anoitecer quente, a Morte, carregada por uma inesperada aragem, entrou-lhe pela janela adentro...