Começo agora a pintar as páginas do desassossego... Terminadas as 300 meias páginas que compõem a biografia de F.P. propriamente dita, abre-se agora um espaço para contar (sem palavras) um dia no quotidiano deste semi-heterónimo de Pessoa, o Bernardo Soares.
As cores serão as do tédio (assim como do tédio é a vida).

(Bernardo Soares, no seu quarto ao amanhecer, depois de uma noite de insónia).

«Sou altamente sociável de um modo altamente negativo. Sou a inofensividade encarnada. Mas não sou mais do que isso, não quero ser mais do que isso, não posso ser mais do que isso.»

(Excerto de um excerto do L do D, de Bernardo Soares, datado de 18-9-1931.)

Aos pares que, falando a mesma lingua, na sua oposição são complementares.


...Como a noite faz o dia.
(Díptico, óleo s/tela e contraplacado, 2001)

Colorindo a BD do FP XV

Fernando Pessoa, "O Convalescente":

O Caderno Laranja, 1998-99.

Este caderno acompanhou-me num momento dificíl...ajudou-me a compreender o que se passava à minha volta e dentro de mim. Para muitos, os traços de uma alienação...para mim o meu pêndulo,  laboratório de revelação futurológiga (como na matemática, os cáculos de probabilidade), a partir de uma teia de sensações, sentidos  e "verdades".
Hoje, ao lê-lo sei prefeitamente do que trata, reconheço cada momento.


 


Colorindo a BD do FP XIV

A narrativa desta BD obedece a leis próprias, muitas vezes desconhecidas do próprio autor que vai "tacteando" como no jogo da "cabra cega"... Contrariamente ao título desta meia página,  «...Tudo é verdade e caminho»,  nem sempre se nos apresenta o caminho certo...
Desta forma ficou apenas para a memória de alguns este pequeno quadradinho que nos apresentava o Fernando e a Ofélia, frente um ao outro, um tanto ou quanto constrangidos, na intimidade da sala de estar da casa da irmã da Ofélia, mãe do Carlos Queiroz com quem F.P. privava.
Tendo este quadradinho "saltado" das Aventuras, e tendo em conta todo o custoso e longo trabalho que deu a fazer, entendo que é caso de me queixar ao Sindicato das Coloristas!

Esta passou a ser a 1ª aparição da Ofélia, nesta segunda fase do namoro, que como se apreende no quadradinho (aqui a meia página inteira) não terá um desenlaçe feliz, pelo menos no que diz respeito aos sentimentos da Ofélia, que só irá casar depois da morte de Fernando Pessoa . A título de curiosidade, e porque nem sempre todas as informações encaixam na tal lógica "autónoma" da narrativa que constitui esta BD, Ofélia fazia anos exactamente um dia depois de Fernando, os dois trocavam telegramas assinalando as datas.

Colorindo a BD do FP XIII

A XIII meia-página a contar do fim (conclusão),  iniciada no dia 13 na sexta-feira passada, «Nunca ninguém se perdeu...»
Na Rua do Fanqueiros:

Fernando com o patrão Moitinho de Almeida (à direita), e um casal estrangeiro, clientes da firma.

No escritório Moitinho d'Almeida, LDA
Import & Export

A máquina de escrever que aqui aparece desenhada é a máquina que está presentemente exposta na Casa Fernando Pessoa (na fotografia em baixo), como sendo dele. Segundo o filho de Moitinho de Almeida esta seria a máquina que Fernando Pessoa usava no escritório. Não se sabe ao certo se Pessoa teria ou não uma máquina de escrever em casa.


A meia-página inteira pode ser vista aqui .


O almoço no banco do jardim da Estrela, perto da Casa Fernando Pessoa na Rua Coelho da Rocha, a última morada do escritor.

M de mulheres

Tenho vindo a perder peso nas últimas 3 semanas ...
Não me sinto bem...
Estou com olheiras...
Fui ao Sr.Doutor.
(Há já um ano...)
O mesmo Sr.Doutor.
Queixo-me do estômago,
Das crises de dores no estômago.
(Que durante uns anos eram aliviadas com ingestão de alimentos.)
A dor sinto-a difusa...
O Sr.Doutor diz que as mulheres não gostam de ir à casa de banho, de evacuar...
(Na consulta a seguir, que as meninas têm nojo das fezes e do cheiro das fezes.)
Os meus olhos estão esbogalhados, incrédulos
O Sr. Doutor é cretino
Receita-me comprimidos para o pancreas, para os intestinos.
Nada para as dores.
Nada para o estômago.

O Sr.Doutor não tem ouvidos.
O Sr.Doutor é um homem que não gosta das mulheres.

Eu sou uma mulher.
E sou todas as mulheres.

Vejo este filme:
un cine-trac d' Agnès Varda


Eu, não suporto mais ser tratada por misóginos.

Outras paisagens

A Leitura

minha pupila liberta
quem da página é cativo:
o branco da margem certa
e da palavra o negro vivo.

Abû Bakr Muhammad ibn `Ammâr.
Poeta nascido em Shannabus, perto de Silves, em 1031 e morto em 1084, uma «vida feita de aventura, grandeza e tragédia»,
Poema retirado do precioso livro "O MEU CORAÇÃO É ÁRABE" ,de  Adalberto Alves que reúne poesia do Al-Andalus.

Lápis e caneta


                                      

                                      

Colorindo a BD do FP XII

«O Nome Romano de Lisboa.»

A Rua da Assunção

Depois de pintadas as figuras segue-se todo um trabalho de montagem e limpeza no Photoshop.

A meia-página, número 279, acabada.

E um retrato de Fernando Pessoa feito pelo Miguel , pintado por volta de 2003.

ACIMA DE TUDO PINTAR

Lê-se, a certa altura, no livro "Renoir, Meu Pai" «Com o seu bom senso | Jean Renoir refere-se à sua mãe, Aline Charigot, |  bom senso de camponesa, sabia que Renoir existia para pintar, como uma cepa existe para dar vinho. Por isso era preciso que ele pintasse, bem ou mal, com sucesso ou sem ele, mas acima de tudo que não parasse de pintar. Não há nada mais triste do que uma videira ao abandono...»