Maus sonhos

Já falei aqui dos desenho ou pinturas que vou fazendo funcionarem muitas vezes em pares; a razão disso permanece para mim um mistério...
Depois de ter digitalizado o desenho à vossa esquerda, o da personagem atrás de uma pedra gigante, e relacionando-o com o desenho que está ao lado (aqui e também no Zap Book - o caderno verde), revelou-se-me um sentido... Parece que a figura está a esconder-se atrás da pedra... A esconder-se dos maus sonhos?... Na floresta...
Ao Miguel fez-lhe lembrar um outro desenho, que pertence a uma série intitulada carregar pesosEstes fantasmas, seres, continuam sempre a aparecer...

Escreve Novalis:
 «Ao dar maior significado ao mundano, um aspecto misterioso ao normal, o conceito de desconhecido ao que é conhecido, o aspecto de infinito ao finito, eu atribuo traços românticos.»

Seguem-se, outras duplicidades, ou, um bom almoço e uma tarde bem passada:

POETRY IS FOREVER

 
visão     

cabeça  
paisagem:
manhã e entardecer, Sol nascente e poente
desenvolvimento e decadência
nascimento e morte 
  luz e  escuridão

W E L C O M E B A C K*

Ainda não tinha mostrado estas páginas do Zap Book:


* O blog esteve avariado e não deu para fazer posts, pff...
«Esta história acontece em estado de emergência e calamidade pública. Trata-se de uma livro inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo me dê. Vós? É uma história em tecnicolor para ter algum luxo, por Deus, que eu também preciso. Amém para nós todos»

"Dedicatória do autor (na verdade Clarice Lispector).
Em:

A necessidade do drama é um factor permanente na alma humana

Já não me recordo de onde "apanhei" esta frase, mas Ela ressoa em mim.

A distância continua entre ciprestes


POEMA
esconde e mostra

«No recôncavo da praia à beira-mar, entre selvas e as várzeas da margem, subia da incerteza do abismo a inconstância do desejo aceso. Não haveria de escolher entre os trigos e os mirtos e a distância continuava entre ciprestes.» L.do D., Bernanrdo Soares


À vossa direita uma Clarice sobre uma floresta negra.
«Cada vez mais eu não tinha o que pedir. E via, com fascínio e horror, os pedaços de minhas pobres roupas de múmia caírem secas no chão, eu assistia à minha transformação de crisália em larva úmida, as asas aos poucos encolhiam-se crestadas. E um ventre todo novo e feito para o chão, um ventre novo renascia.»
Clarice Lispector, A Paixão segundo G. H.


Mais ou menos no início do filme O Ovo da Serpente', de Ingmar Bergman, vemos para lá da janela uma estátua de um anjo. O anjo envolto em negro. O filme retrata a Alemanha nos 1923, a depressão económica tecendo a barbárie...

There she goes again

She's out on the streets again
...
(A fazer lembra a nordestina Macabéa, anti-heroína do livro "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector.)
I
II
I  - ensaio para espaço sideral.
II - "caracol"

Só Ela

(Na múmia a posição é absolutamente exacta.)


Porque abrem as coisas alas para eu passar?

Tenho medo de passar entre elas, tão paradas conscientes.


 Tenho medo de as deixar atrás de mim a tirarem a Máscara.

Mas há sempre coisas atrás de mim.


(Texto retirado de Episódios/ A Múmia, de Fernando Pessoa.
O texto não foi escrito para os desenhos e o contrário também não aconteceu)

Cavalo Assustado por uma Tempestade

de Eugène Delacroix, datado de 1824, pintado a aguarela, bons pigmentos se usavam na época, este quadro é também um estado de alma.