Colorindo a BD do FP XXII
A primeira fila de quadradinhos (são quase quadrados: 9,3 cm de altura e 9 de largura) da primeira página de um dia no quotidiano de Bernardo Soares, seguida da última fila de quadradinhos da última página (a décima):
Sim, terminamos! Já não há mais páginas, nem meias-páginas novas, para pintar... Finalmente!!! Mas o trabalho não está ainda terminado. Ficaram algumas m.ps pelo caminho. São as mais complicadas ou, por várias razões, falhadas, que estão agora a ser resolvidas. É o caso da meia-página «1893-1894»...... para mim especialmente complicada.
Depois de várias versões (aqui uma delas) parece agora que consegui encontrar uma solução que funciona, eliminando alguns elementos da mobília da sala, do lado onde está o pai de Fernando, ajustando melhor os contrastes cromáticos e aperfeiçoando a escala de cinzentos. Para destacar o meu mérito como colorista foi-me atribuído o troféu de "Melhor Colorista do Século" pelo Comité Central Especializado Miguel LDA, com sede no Cacém.
Mistério....
« Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu.» Do "Livro do Desassossego", Bernardo Soares, sentado à mesa depois de jantar, escrevendo:
A banda sonora do nosso desassossego
Durante estes anos todos dedicados às "Aventuras do Fernando Pessoa, Escritor Universal..." grande parte do tempo, e principalmente os últimos, foram passados na companhia de BD
Alento & Alimento.
"La Mujer sin Cabeza"
O título chamou-me logo a atenção... "A Mulher sem Cabeça"... A capa misteriosa e sugestiva... Uma realizadora... Hummm... Este filme deve ter interesse! Levámo-lo do clube de video (já encerrado pelo estado das coisas) para casa...
Foi uma excelente sessão de cinema na tv !!! E aqui está o início do filme para comprová-lo!
Lucrecia Martel é uma realizadora com «TREMENDA CABEZA» está escrito num dos comentários ao filme no "UTUBE", e é mesmo!!! Foi bom ouvi-la e vê-la (pela primeira vez e por acaso) na série de pequenos documentários, "O Tempo e o Modo" que passa na rtp2 às quintas-feiras à noite.
"Una Mujer con muchas Cabezas" , desenho feito durante o meu expediente ao abrigo da aide.
Outrora
Eu, como uma espécie de lémure mascarado.
Existe um outro exemplar, semelhate em dimensão ao exemplar da primeira imagem, mas não foi fotografado e encontra-se de momento em paradeiro incerto.
Existe um outro exemplar, semelhate em dimensão ao exemplar da primeira imagem, mas não foi fotografado e encontra-se de momento em paradeiro incerto.
...mais cor do desassossego, um dia no quotidiano do nosso amigo Bernardo Soares...
«Na grande claridade do dia o sossego dos sons é de ouro também. Há suavidade no que acontece. Se me dissessem que havia guerra, eu diria que não havia guerra. Num dia assim nada pode haver que pese sobre não haver senão suavidade.»Colorindo as páginas do desasocego*, um dia no quotidiano de Bernardo Soares
«(...) Do que sou numa hora, na hora seguinte me separo; do que fui num dia no dia seguinte me esqueci (...)».
*: na grafia antiga.
Mountain top
I stoop and thought one day
I could really see a lot
And if I had my way
A lazy young sod I was
So deep in love those days
As if there was nothing was
But only love I crave
And so I didn't know as much
Her loving touch amazed
I was so gone with love
The alphabet was a haze
So alone as she pulls away
The funeral truck I cried
I gazed the clouds disappear
Like a Lost Christmas that day
And now I can't seem to cope
But only hope - it be okay
Just to see her again
and we could be friends like way back when
It's as if I'm already dead
And in my grave I lay
If only her love could save me now
And if some how she'd stay»
Daniel Johnston
Começo agora a pintar as páginas do desassossego... Terminadas as 300 meias páginas que compõem a biografia de F.P. propriamente dita, abre-se agora um espaço para contar (sem palavras) um dia no quotidiano deste semi-heterónimo de Pessoa, o Bernardo Soares.
As cores serão as do tédio (assim como do tédio é a vida).
As cores serão as do tédio (assim como do tédio é a vida).
(Bernardo Soares, no seu quarto ao amanhecer, depois de uma noite de insónia).
«Sou altamente sociável de um modo altamente negativo. Sou a inofensividade encarnada. Mas não sou mais do que isso, não quero ser mais do que isso, não posso ser mais do que isso.»
(Excerto de um excerto do L do D, de Bernardo Soares, datado de 18-9-1931.)
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