Recordar os Amantes da Ponte Nova, de Leo Carax (1991). 
Desenho de Juliette Binoche.
Um pedaço do filme:
             
                                      

(Eu vou sem ser visto)

O Paulo

A renúncia é a libertação. Não querer é poder.

Que me pode dar a China que a minha alma me não tenha já dado? E, se a minha alma mo não pode dar, como mo dará a China, se é com a minha alma que verei a China, se a vir? Poderei ir buscar riqueza ao Oriente, mas não riqueza de alma, porque a riqueza de minha alma sou eu, e eu estou onde estou, sem Oriente ou com ele.
Compreendo que viaje quem é incapaz de sentir. Por isso são tão pobres sempre como livros de experiência os livros de viagens, valendo somente pela imaginação de quem os escreve. E se quem os escreve tem imaginação, tanto nos pode encantar com a descrição minuciosa, fotográfica a estandartes, de paisagens que imaginou, como com a descrição, forçosamente menos minuciosa, das paisagens que supôs ver. Somos todos míopes, excepto para dentro. Só o sonho vê com (o) olhar.
No fundo, há na nossa experiência da terra duas coisas — o universal e o particular. Descrever o universal é descrever o que é comum a toda a alma humana e a toda a experiência humana — o céu vasto, com o dia e a noite que acontecem dele e nele; o correr dos rios — todos da mesma água sororal e fresca; os mares, montanhas tremulamente extensas, guardando a majestade da altura no segredo da profundeza; os campos, as estações, as casas, as caras, os gestos; o traje e os sorrisos; o amor e as guerras; os deuses, finitos e infinitos; a Noite sem forma, mãe da origem do mundo; o Fado, o monstro intelectual que é tudo... Descrevendo isto, ou qualquer coisa universal como isto, falo com a alma a linguagem primitiva e divina, o idioma adâmico que todos entendem. Mas que linguagem estilhaçada e babélica falaria eu quando descrevesse o Elevador de Santa Justa, a Catedral de Reims, os calções dos zuavos, a maneira como o português se pronuncia em Trás-os-Montes? Estas coisas são acidentes da superfície; podem sentir-se com o andar mas não com o sentir. O que no Elevador de Santa Justa é universal é a mecânica facilitando o mundo. O que na Catedral de Reims é verdade não é a Catedral nem o Reims, mas a majestade religiosa dos edifícios consagrados ao conhecimento da profundeza da alma humana. O que nos calções dos zuavos é eterno é a ficção colorida dos trajes, linguagem humana, criando uma simplicidade social que é em seu modo uma nova nudez. O que nas pronúncias locais é universal é o timbre caseiro das vozes de gente que vive espontânea, a diversidade dos seres juntos, a sucessão multicolor das maneiras, as diferenças dos povos, e a vasta variedade das nações.

Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos. Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou eu.

Livro do Desassossego por Bernardo Soares.


Imagem da capa de "As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal..."

Aquando da elaboração do Universo sideral

«OH CONSTRUCTORES, OH FORMADORES, VOSOTROS VEIS, VOSOTROS ESCUCHÁIS, NO NOS ABANDONAIS. ESPÍRITU DEL CIELO, ESPÍRITU DE LA TIERRA, DADNOS NUESTRA DESCENDENCIA, NUESTRA POSTERIDAD, MIENTRAS HAY DÍAS, MIENTRAS HAY ALBAS». 

É o que eles dizem

E os Cramps também!



Por volta dos meus 16 anos copiei muitas vezes esta capa:

Desenhando para os NONO

Os NONO são uma banda de música punk-rock p'ró experimental  com muita densidade psicológica... 

passional & quotidiana ...

Mais desenhos

Não, Não... podem ouvi-los.
Aqui estão dois temas!
Podemos vê-los ali

Talvez partir.....

...num golpe de
asas
para mais além
...

UM PASSEIO NA FLORESTA...

É O QUE EU
DESEJO
FAZER
Na Natureza com as Shonen Knife e o PC  posso descansar... Fecho os olhos... Medito silenciosamente... E os maus sentimentos vão embora...

Em japonês "Shonen Knife" escreve-se assim: 





少年ナイフ



Contestou, estupidamente.


Ó Pollock não me cortes o braço !!!
A minha  in/eterna luta contra o abstraccionismo fundamentalista na pintura, de mão dadas com  o Filipe Guston, que imitei com todo o agrado e sem vergonha, não tivéssemos nós os mesmos procedimentos  no que é pintar. Acção: temos fazer aquilo que temos que fazer!



Philip Guston Je T'aime - for that I kill you.

Quero pintar!
Quero pintar!
Quero pintar!
...

Colorindo a BD do FP XXIII



O Vicente não pinta mas tem estado...

Colorindo a BD do FP XXII

A primeira fila de quadradinhos (são quase quadrados: 9,3 cm de altura e 9 de largura) da primeira página de um dia no quotidiano de Bernardo Soares, seguida da última fila de quadradinhos da última página (a décima):

Sim, terminamos! Já não há mais páginas, nem meias-páginas novas, para pintar... Finalmente!!! Mas o trabalho não está ainda terminado. Ficaram algumas m.ps pelo caminho. São as mais complicadas ou, por várias razões, falhadas, que estão agora a ser resolvidas. É o caso da meia-página «1893-1894»...


... para mim especialmente complicada. 
Depois de várias versões (aqui uma delas) parece agora que consegui encontrar  uma solução que funciona, eliminando alguns elementos da mobília da sala, do lado onde está o pai de Fernando, ajustando melhor os contrastes cromáticos e aperfeiçoando a escala de cinzentos. Para destacar o meu mérito como colorista foi-me atribuído o troféu de "Melhor Colorista do Século" pelo Comité Central Especializado Miguel LDA, com sede no Cacém. 


Falta também pintar as capas, duas, uma para cada Aventura, mas isso fica para um próximo post.
Mistério....